Eu gosto do Amazonas também gosto do Pará:
a pupeca é daqui, maniçoba é de lá,
refresco de murici, Tapioca com açaí
é de lá e de cá.
Nosso Teatro Amazonas, o deles é o da Paz:
Jóias da arquitetura, legados dos seringais.
Templos que guardam memórias de momentos imortais.
É linda a Estação das Docas na orla do Guajará:
o passado transformado num lugar bom de ficar.
Palco móvel, tocadores e o prazer de apreciar.
Paissandu, Clube do Remo têm passado e tradição.
Na Colina - São Raimundo nosso querido Tufão.
Já celebraram vitórias com taças de campeão.
Fica difícil aplicar a lei da comparação.
As coisas Lindas daqui, lá no Pará também são.
Além disso, tá bem claro, o Pará é nosso irmão.
Negar a teia tecida dessa consangüinidade é
macular a memória da nossa fraternidade.
É romper inconseqüente laços da nossa amizade.
Quem goza sempre se acha que já é o maioral.
Tolo, não sabe que a vida trata todo mundo igual:
quem planta o bem, colhe o bem,
quem planta o mal, colhe o mal.
Quantos irmãos paraenses, vivendo em nossa cidade,
fazem do suor do rosto a nossa prosperidade:
Alheios, satirizamos, ferindo dignidades.
Já é hora de um basta, ainda é tempo de parar.
Peço desculpas pro Nilson e pra maninha Fafá.
– tô saudoso de vocês e do melhor tacacá.
O Rio Negro e o Solimões – encontro espetacular.
No olhar não se misturam, mas no abraço milenar
transformam-se no Amazonas que segue em busca do mar.
Quando bebe às águas verdes que cortejam Santarém,
o grande Rio Amazonas diz : Tapajós, mano,
vem comungar do nosso abraço, precisamos ir além.
Todos os rios abraçados chegam finalmente ao mar.
E nós aqui do Amazonas, onde queremos chegar
com pilhérias de mau gosto desdenhando do Pará.
Devemos aos paraenses um pedido de perdão.
Somos filhos da Amazônia, mesmo céu e mesmo chão.
Quem ainda tolda o rio que navega, bebe o mar da solidão.